“mimimi”, só por ti

Ontem acordei com uma força desmedida, força para parar com o “mimimi” e começar a sentir pena de ti. Apostei tudo em ti, até à minha última e misera ficha de jogo, e perdi. Foi uma perda dolorosa, mas o fato de teres cuspido em cima da minha última aposta, da minha réstia de força de lutar por nós, fez-me perceber que de fato esse lugar que tanto queria ocupar na tua vida não é meu, talvez nunca o tenha realmente possuído.

Sei agora que o que nos magoa, que nos destrói, que nos faz chorar até nos engasgarmos, é realmente o que nos torna mais fortes, mais seguras de nós mesmas e do que merecemos. O que eu mereço verdadeiramente eu não sei, mas sei o que não mereço, nem quero. Recuso aceitar as metades, as migalhas, as dúvidas que tens para dar, recuso também esse “quasequefoiamor”, “quasequeseioquequero” e “quasequedeucerto” que ofereces.

Querido, dei a maior prova de amor que alguma vez irei conseguir dar e dei-a à pessoa que eu devia respeitar mais na vida: a mim mesma.

Então, chega de “mimimi” por mim, agora só por ti, por passares pela vida sem saberes o que realmente queres, por desistires de quem nunca iria desistir de ti, por te sabotares dessa forma.

Agora só quero que a força que ontem me acordou perdure, que me acompanhe e me ajude a buscar a felicidade que mereço.

~Jucathe

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Fi-lo, sim, eu fi-lo.

Ganhei coragem e pedi que voltasses. Não esqueci a forma como me desiludiste, nem os dias de choro e saudades por que tenho passado. Mas de alguma forma sempre fui péssima a desistir e recuso-me a faze-lo sem te pedir que voltasses se eu fosr suficientemente importante para ti, se também sentires a minha falta e achares que nenhum lugar é mais certo para ti do que em mim.

Quero que voltes, mas quero que voltes inteiro, sem parcelas, sem reticências, só entrega e partilha. Agora é contigo. Afinal, a minha espera não pode de maneira nenhuma prolongar-se muito mais, sinto que não tenho forças e por amor a mim mesma não me posso sujeitar a este mar de incerteza e espera a que me tenho resignado.

Por isso, e antes de ir buscar forças que me obriguem a ser melhor para mim mesma e seguir em frente, apostei a minha última ficha. Se for mais uma aposta perdida, prometo lutar para não me perder, erguer a cabeça e seguir com a minha vida de alguma forma. Irei obrigar-me a não olhar para trás.

Agora só resta cruzar os dedos, cerrar os olhos e pedir com muita força que desta vez, por uma única vez, eu tenha sorte nas apostas. Na verdade acabei de apostar a minha última ficha em ti, pois se tiver de desistir, quero faze-lo com a certeza que tentei tudo o que estava ao meu alcance.

~Jucathe

Hoje parece-me o dia ideial

Os últimos tempos têm sido tempos difíceis admito. Trago tanta revolta, incompreensão, tristeza, frustração dentro de mim que tenho espalhado isso a meu redor. Desaprendi a dar aos que me rodeiam sorrisos, boa disposição, palavras amigas, carinho, gentileza. Nem me lembro exatamente quando começou, mas olho para mim e não gosto do que vejo. Críticas, acusações, discussões, cobranças, más respostas. Tudo isto faz agora parte do meu quotidiano.

Uma vez ouvi que nunca é tarde para mudar, que estamos sempre a tempo, e mesmo que os tempos sejam difíceis “sorriso atrai sorriso”. Quero fazer pelo menos uma pessoa feliz a cada dia a partir de hoje, quero voltar a espalhar sorrisos (sinceros), e principalmente voltar a ser a miúda carinhosa que um dia (muito distante) já fui.

E se nunca é tarde, hoje parece-me o dia ideal para começar.

~Jucathe

Três semanas

Faz hoje três semanas. Demorei mais de duas horas a arranjar-me, o cabelo está impecável, a maquilhagem carregada como nunca antes esteve, e a roupa elegante. Calcei os tacões pretos, vesti o casaco, borrifei um pouco do perfume novo e sai. De tantos elogios que ouvi esta noite pergunto-me como é que ninguém consegue ver o que está debaixo de toda esta aparência, no entanto agradeço as distrações, sorte minha talvez ninguém reparar.Nunca fui boa a lidar com a pena dos outros. E riu, danço, converso, e até faço piadas, mas o que ninguém sabe nem tão pouco desconfia, é que o tamanho dos meus saltos é muito, mas mesmo muito maior do que o tamanho da minha confiança.

~Jucathe

Sorte e paz, podes ir.

Chorei muito sim, desesperei, solucei e até me engasguei no choro. Percorri muitos dos locais a que fomos juntos, nem sempre na busca de ti, mas na maioria das vezes na procura de um pouco de nós que me desse conforto, que me consolasse de alguma forma irracional. Descobrir que sofrer é demasiado cansativo, e sofrer dentro de uma bolha de esperança e incerteza. Esperei muito tempo, demasiado talvez, esperei e desejei secretamente que te arrependesses, que percebesses que tinhas cometido um erro e que admitisses que os teus dias eram nublados sem o meu sorriso. Esperei em vão, sofri por alguém que decidiu fingir que eu tinha morrido, agir como se de um dia para outro eu tivesse deixado de existir. E no meio desta desarrumação toda, o velho e bom amigo tempo fez-me o favor de me trazer um pouco de racionalidade e lucidez, mostrou-me que o azar é mais teu que meu. Eu perdi alguém que desistiu de mim, alguém que nunca me achou suficientemente importante para que valesse a pena ficar, e tu, meu (ex)amor, perdeste por tua inteira vontade a pessoa que sempre se preocupou contigo, que nunca iria desistir de ti. E depois de tanta espera, tanta esperança, tanta ingenuidade, resta-me apenas desejar-te muita sorte e paz no caminho que escolheste.

~Jucathe

Borboletas nunca mais!

Lembro-me de defender com unhas e dentes que não queria uma relação morna, queria sentir frio na barriga, borboletas a esvoaçar, não conseguir dormir de tão feliz que estava, sorrir à toa. De facto, eu senti tudo isso. Mas se alguma coisa eu aprendi é que quem te proporciona tudo isto é também capaz de te provocar uma dor no peito abrupta.

E no meio deste mar de lembranças que me tortura diariamente, lembro de algo tão banal e juro que parecia que alguma coisa se tinha quebrado cá dentro. Não quero, recuso-me a permitir que mais alguém me faça sentir algo tão negro assim. A partir de hoje não quero mais borboletas, não quero mais frio na barriga, não quero sequer dar permissão a alguém que me possa destruir.

Borboletas? Nunca mais.

~Jucathe

Lembranças

Lembro-me dele falar a sorrir, inclinar o lábio superior um pouquinho mais para a direita, como eu me encantava com aquela boca sorridente. Ele não tinha vergonha de cantar-me ao ouvido nem mesmo de cantar com os olhos postos nos meus.
Era incrível o que me fazia sentir, sabem, como se nada me pudesse atingir quando estávamos juntos. Mas como em quase tudo surgiu a ironia, de tanto que me sentia salva com ele, foi ele mesmo que acabou por me atingir.
E de que maneira.
~Jucathe